A postagem de hoje tem um título um pouco forçado, mas o texto será mais profundo do que isso...
Sabe quando você compra um produto e vem numa embalagem superbacana, entregue por um atendente bem informado, atencioso... e então quando você abre o pacote vc tem a certeza de que fez um bom negócio? Você sente isso porque o fabricante quis que vc sentisse... ele trabalhou para tocar o seu coração.
<Momento narcisista ON>
Minha banda (The Red Square) fez uma apresentação essa semana na praça principal da cidade aqui (Torres/RS), em um evento cultural (Quinta na praça). Estávamos com medo dessa apresentação pois ela foi diferente de todas até hoje: O repertório era desconhecido pra maioria das pessoas; a formação era diferente (o baterista foi pro vocal, o vocalista foi pro teclado....), não tínhamos baterista; enfim, a apresentação tinha tudo para dar muito certo ou muito errado.
Era algo novo, tínhamos medo mas ao mesmo tempo adorávamos a idéia, pois a cada ensaio a gente arrumava mais detalhes nas músicas e tentava montar um clima para q o pessoal escutasse as músicas e sentisse a mesma mágica que nós sentíamos ao executar as músicas. Fizemos com o coração.
No show deu tudo certo, a sonorização estava ótima, ouvia-se todos os instrumentos perfeitamente, talvez porque não tinha bateria para abafar a sutilidade das musicas.... mas o mais importante é que víamos no público uma grande satisfação, mesmo que não conhecessem as músicas, estavam ali ouvindo, pois treinamos muito para tocar e estava tudo muito bonito. Soubemos depois do show que algumas pessoas se emocionaram e foram às lágrimas lá, e ganhamos muitos elogios... foi uma experiência incrível e agora estamos pensando em levar a banda um pouco mais a sério para explorar mais esse lado, que pareceu dar muito certo. Eu até queria aproveitar o espaço aqui para agradecer às pessoas que foram nos ver lá na praça, foi mt importante ouvir a opinião de vocês! :)
<Momento narcisista OFF>
Mas o que eu queria ilustrar com essa experiência, é a diferença que você faz no dia das pessoas quando se faz algo com o coração.
Quando o carteiro vem e mostra exatamente onde você deve assinar, quando o motorista deixa você atravessar a rua, quando o padeiro te entrega o pão que ele acabou de fazer, quando o garçom traz o copo com o gelo e limão que você pediu, quando você vê um sorriso, quando se ouve um bom-dia e até mesmo quando você percebe que o blog que você acompanha tem uma postagem nova.
Eu sei, com o tempo nós queremos apenas fazer tudo mais rápido, mais automático... e assim vieram os computadores, as máquinas... que fariam com que Michelangelo di Lodovico fosse substituído por uma meia dúzia de softwares piratas e um nerd escondido atrás de um PC. Acabamos querendo praticidade quando na verdade conseguimos apenas um grande espaço de tempo para ocupar com várias outras tarefas, que nos obrigarão a conseguir outros meios de fazê-las mais rápido, para sobrar mais tempo para preenchermos com mais trabalho e assim por diante. Acabamos virando grandes relógios de pilha, que no fim da sexta-feira enchemos a cara de cerveja pra comemorar uma semana a menos no mês.
E enfim, a mensagem que passo é que acredito que se todos interagirmos com o coração, e não com nossos relógios, iremos ter um mundo muito melhor... pois todos percebem quando são bem tratados e de alguma forma se abalam, e passam a tratar os outros da mesma maneira... até encontrar outro grande relógio com a pilha quase acabando, e voltar ao ritmo cruel do nosso querido mundo moderno.
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Pra título de curiosidade, nosso repertório foi o seguinte:
Mad World - versão do Gary Jules
Fake Plastic Trees - Radiohead
No Surprises - Radiohead
Don't Panic - Coldplay
High and Dry - Radiohead
Lucky - Radiohead
Flying to Mars - The Red Square

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